Queda de cabelo após uso de mounjaro: o que você precisa saber
12 de janeiro de 2026
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Mitos e Verdades sobre Shampoos e Produtos Antiqueda!

A queda capilar é uma das queixas mais frequentes no meu consultório e,  não raramente, atendo pacientes que já tentaram diversas soluções antes de buscar avaliação médica: shampoos “milagrosos”, produtos “antiqueda” e outras fórmulas supostamente infalíveis, amplamente divulgadas na internet.

Vale lembrar que, ao notar os primeiros sinais de queda capilar, o mais indicado é procurar precocemente um dermatologista com atuação em tricologia, ok?

 

O que shampoos antiqueda realmente podem fazer?

Apesar dos inúmeros benefícios listados em publicidade, shampoos por si só não conseguem prevenir ou tratar as causas profundas da queda capilar, como alopecia androgenética ou eflúvio telógeno.

Isso ocorre porque a maioria dos ingredientes não penetra profundamente nos folículos pilosos, onde ocorre a fisiopatologia da queda capilar.

O papel principal de um shampoo é limpar o couro cabeludo e os fios, removendo sebo, poluentes e resíduos de produtos: um passo importante para manter um ambiente saudável no couro cabeludo, mas que não é tratamento anticalvície propriamente dito.

 

Verdades verificadas pela ciência:

Shampoo não substitui tratamento médico.

Estudos sistemáticos mostram que shampoos antiqueda raramente têm evidência clínica robusta de eficácia para reduzir queda ou estimular crescimento de forma significativa.

Alguns ingredientes têm evidência limitada. Entre os inúmeros compostos anunciados como “ativos contra queda”, apenas quatro foram testados individualmente em ensaios clínicos: cafeína, adenosina, aminoácidos e melatonina, com evidência geral considerada fraca a moderada.

Mitos comuns sobre shampoos e queda capilar

Shampoos antiqueda fazem o cabelo crescer sozinho.
Não, eles não regeneram folículos miniaturizados nem tratam alopecias hormonais ou autoimunes. Pode haver melhora cosmética, mas não há comprovação robusta de que previnam a queda em si.

Ingredientes como biotina no shampoo impedem calvície.
Apesar de a biotina ser importante no metabolismo capilar, não há evidência que biotina aplicada em shampoo impeça a calvície, que tem fisiopatogenia hereditária e hormonal.

Ingredientes “naturais” são sempre melhores.
A ideia de que extratos botânicos ou naturais garantem eficácia é atraente, mas a maioria não foi testada clinicamente.

 

Ingredientes controversos 

Sulfatos e agentes de limpeza agressivos: podem causar ressecamento dos fios e irritação do couro cabeludo, afetando a barreira cutânea e facilitando quebra do fio, mas não são diretamente comprovados como causadores de queda verdadeira.

Phthalates e outros disruptores endócrinos (em exceção de formulas dermatológicas controladas): substâncias como ftalatos têm sido associadas a disrupção hormonal em estudos toxicológicos e não apresentam benefício para saúde capilar.

Formaldeído e doadores de formaldeído: usados como conservantes, podem irritar couro cabeludo e pele sensível. A relação com queda de cabelo ainda não é comprovada, mas o uso prolongado em concentrações maiores não é recomendado fora de formulações seguras.

 

O papel dos shampoos medicinais no contexto clínico

Shampoos com ketoconazol (antifúngico) têm sido estudados como coadjuvantes no manejo da alopecia androgenética, possivelmente por reduzir inflamação e níveis locais de DHT no couro cabeludo.

Apesar de não substituírem terapias como minoxidil ou finasterida, podem ser úteis como tratamento adjuvante sob supervisão médica.

 

Erros comuns de haircare que pioram a queda

Lavagens inadequadas: não limpar corretamente pode contribuir para acúmulo de sebo e resíduos, que irritam o couro cabeludo e favorecem queda aparente.


Excesso de calor, química e tração: o uso intenso de chapinha, alisamentos repetidos e penteados muito tensionados causam quebra e traumas foliculares, que alguns confundem com queda real.


Falta de diagnóstico diferencial: muitos pacientes atribuem queda a produtos, quando a causa é hormonal, nutricional ou sistêmica, e sem diagnóstico adequado nenhum shampoo resolverá o problema.

 

Dicas práticas de cuidados capilares baseadas em evidência

  • Escolha de shampoo: prefira fórmulas dermatológicas suaves, sem sulfatos agressivos em excesso, que respeitem o pH do couro cabeludo e removam resíduos sem irritar.
  • Rotina personalizada: a eficácia está na rotina completa,  limpeza adequada, tratamento específico prescrito (ex.: minoxidil, se indicado), alimentação equilibrada e cuidado com o couro cabeludo.
  • Evite automedicação cosmética: produtos prometendo “cura” devem ser analisados criticamente e, se possível, prescritos por profissional capacitado.
  • Avaliação clínica: sempre que houver queda excessiva, ir além de cuidados cosméticos e procurar diagnóstico médico é essencial para identificar causas tratáveis.

 

Resumindo:

Shampoos e produtos antiqueda têm sim um papel coadjuvante na saúde capilar, principalmente em limpeza e melhora cosmética, mas não substituem tratamentos dermatológicos dirigidos às causas da queda.

A maioria dos ingredientes com alegações promissoras ainda carece de evidência clara, e muitas afirmações de eficácia não são sustentadas por estudos clínicos robustos.

Vale ressaltar que a queda capilar geralmente é consequência de fatores associados, dentre os mais recorrentes estão: 

Predisposição genética: a alopecia androgenética, também conhecida como calvície de padrão masculino ou feminino, é uma das formas mais comuns de afinamento e perda capilar.

Estresse e estilo de vida: doenças febris, parada de anticoncepcional, alterações tireoidianas, déficits de vitaminas, internações, doenças sistêmicas, cirurgias, traumas, medicamentos, pos-parto, dietas restritivas e outros fatores de estresse físico ou psicológico podem levar a uma queda capilar temporária, conhecida como eflúvio telógeno.

Condições médicas: doenças autoimunes, como a alopecia areata, infecções do couro cabeludo e outras condições clínicas também podem causar queda capilar.

Portanto, tratamentos que não agem na origem da doença dificilmente vão produzir algum resultado, o que me faz retornar ao que disse no início desse texto: a melhor estratégia é procurar um dermatologista especialista em Tricologia. Ele vai investigar a causa de sua perda capilar e propor terapias com eficácia comprovada para corrigir o problema, literalmente, em sua raiz!

Precisa de uma consulta em Tricologia? Entre em contato pelo WhatsApp ao lado!

Dra. Juliana Franco Médica Dermatologista

Médica com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia e com atuação em dermatologia clínica e cirúrgica, tricologia e cosmiatria.